Venda de imóveis usados reage, mas preço ainda é um empecilho em 2018

Após incremento de 17% em janeiro em São Paulo, imobiliárias comemoram o aumento do teto para financiamento neste segmento por parte da Caixa como motor para retomada neste ano.

 

Após uma redução de 10,5% ao longo de 2017, a venda de imóveis secundários apresentou alta de 17% em janeiro, ante a dezembro. Com a redução de preços chegando a 30% em alguns casos, a perspectiva agora é que primeiro os negócios melhorem, para só então haver uma efetiva melhora do valor do metro quadrado.

O crescimento em janeiro se dá após dois anos de quedas acumuladas no setor. Em 2017, a redução de 10,5% estava pautada tanto da recessão econômica, quanto da limitação da Caixa Econômica Federal (CEF), maior financiador de imóveis, para compra de imóveis usados.

“Ao longo do ano passado a Caixa cortou duas vezes o teto do financiamento para imóvel usado. Passou de 70% para 60% no meio o ano, e de 60% para 50% no final”, explica o consultor jurídico da Imobiliária Sollano, Herinque Nardini.

Na primeira semana de janeiro o banco público elevou o teto de financiamento para imóveis usados para 70%, o que pode manter aquecido o mercado nos próximos meses. “Temos um cenário de preços baixos, vendedores há mais de dois anos procurando compradores e o único empecilho era a questão da Caixa”, comenta Nardini.

Na MD Negócios Imobiliários o sócio Emerson Priotti conta que ao menos 40 vendas foram perdidas na imobiliária em 2017 por conta do teto de financiamento. “Chegamos a procurar bancos privados para efetuar financiamento, mas com a Selic alta foi difícil fechar negócios”, disse.

A imobiliária, que tem três unidades em São Paulo, espera que haja primeiro uma melhora nos negócios firmados, para só então os preços voltarem aos patamares pré-crise.

“Tenho clientes dando desconto de 30% no valor do imóvel para se desfazer dos custos fixos. O condomínio médio de um apartamento em São Paulo é de R$ 1 mil, até mesmo quem comprou para investir e não conseguiu locar está dando descontos”, detalha ele.

Luz no fim do túnel

A alta de 17% nas vendas em janeiro o Estado de São Paulo, divulgada ontem (26) pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), foi comemorada pelo presidente da entidade, José Augusto Viana Neto. “É o melhor janeiro dos últimos oito anos e isso não é pouca coisa”, disse ele, que ja arrisca ser ainda mais otimista: “Os resultados de janeiro indicam que esse segmento pode embarcar na onda da recuperação que já é sentida em vários setores da economia.”

De acordo com ele, o fato dos preços ainda não terem reagido pode estimular ainda mais negócios. “A oportunidade está em aproveitar o momento de baixa do mercado, em que os preços estão contidos, e a reativação do financiamento imobiliário em bancos que estavam com as carteiras desse tipo crédito praticamente fechadas no ano passado”, argumenta Viana Neto.

Nas 999 imobiliárias que o Creci SP consultou, 48,69% dos imóveis negociados foram vendidas à vista. O financiamento de bancos respondeu por 38,89% do total, e ainda houve 12,09% de negócios fechados com pagamento parcelado diretamente pelos donos de casas e apartamentos e 0,33% vendidos com carta de crédito de consórcios.

“Para atravessarmos a crise tivemos que obter novas foramas de financiamento, e isso diversificou a carteira nas imobiliárias, diz o sócio da MD.

Locação

No primeiro mês do ano a locação de imóveis residenciais cresceu 6,85% ante a dezembro. Apesar da alta, o resultado de janeiro de 2018 foi foi o menor para o período desde o inícío da série história (veja mais no gráfico).

À exceção da Capital, com queda de 17,39% em comparação com dezembro, o número de imóveis alugados cresceu no Interior (+ 19,14%), no Litoral (28,06%) e nas cidades da região do A, B, C, D mais Guarulhos e Osasco (31,67%).

Nas imobiliárias pesquisadas, mais da metade das novas locações (51,24%) teve um custo médio de até R$ 1 mil. “Para alugar os proprietários concederam descontos médios sobre o aluguel originalmente pedido de 10,67% nos bairros nobres das cidades, de 11,6% nos centrais e de 11,18% nos bairros de periferia”, diz Viana.

 

Fonte: Diário Comércio Serviços Indústria & Serviços

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *